Wednesday, 6 June 2012

Rock'n'roll Fantasy 1957

9 October 1957 - News about the new 'rhythm' called rock'n'roll had been hitting Brazilian newspapers and radio since early 1956. Brazilian media always portrayed rock'n'roll as dangerous and degenerate to the well-being of youth in general which created more curiosity on the part of the public. 

Paulo Machado de Carvalho Filho whose father was the owner of  Radio & TV Record, the 2nd most popular network in Sao Paulo thought he would create a sensation among the natives if he could bring some rock'n'roll act to South America just to show the natives what rock'n'roll was all about. When in New York, Paulinho went to an agency that catered for what he wanted so desperately. It would provide not only one but 7 or more acts banded together in rock'n'roll revue called 'Rock'n'roll Fantasy'. 

Most of the acts were not even 'rock' but plainly middle-of-the-roadies who could twist and shout when it suited them. Freddie Mitchell who was probably the best in the reveu was a rhythm'n'blues combo that 'turned into' rock when they noticed it made a lot of money. 

Actress-singer Maureen Cannon had been dancing and singing at Broadway musicals since she was a teen-ager - she came originally from Chicago. Then she went on to be a regular at the Paul Whiteman TV show in New York most of the 1950s. Miss Cannon turned out to be the was the most popular act among them all having been called 'a explosiva' (the explosive one). 

6 October 1967

ROCK ‘N’ ROLL  FANTASY  -  OUTUBRO  1957  -  TV  RECORD  
dados tirados do jornal 'Ultima Hora' da cidade de São Paulo


9  OUTUBRO  1957 – 4a. feira -  a revista musical “The Rock ‘n’ Roll Fantasy”  estréia no Teatro de Cultura Artística, à rua Nestor Pestana, em São Paulo. Espetáculo de grande sucesso apresentado originalmente no Brooklyn-Paramount Theater, onde o famoso DJ Alan Freed, da Radio WINS 1010, realizava “festivais de Rock” periòdicamente.  Talvez a primeira revista-musical sobre o “ritmo alucinante”, surgido nos Estados Unidos há dois anos [1955] e consolidado com o sucesso retumbante de Elvis Presley no ano passado (1956).

 Paramount Theater de Brooklyn, onde a 'revue' começou.
Alan Freed comandava os shows de rock'n'roll em 1956 e 1957.

'Pernas, vozes e louras conquistam o Festival'  - grita a manchete do caderno de espetáculos da Ultima Hora, em matéria assinada por Miguel Vaccaro Netto, que já havia acompanhado as apresentações da troupee de 30 pessoas no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, Distrito Federal.

Vaccaro explica aos leitores que o Rock and Roll é uma mistura de boogie, swing e fox-trox, e que foi dado o nome de Rock mais para efeito de “novidade”.

N.B.:  Vaccaro quase acertou na definição do novo ritmo, só esquecendo-se do C&W [Country and Western], a musica dos caipiras brancos do Sul dos U.S.A, um dos elementos primordiais que compõe o Rock.

Vaccaro, então,  passa a discorrer sobre os vários membros da “revista”.

1. Freddie Mitchell & his Orchestra -  rapaz de alguma fama;  toca de maneira eficiente e barulhenta;  embora com poucos músicos (não especifica o número deles), se impõe ao público.

2. The Cookies  -  três moças “coloreds” vestindo-se todas de branco, fazendo bem o contraste com suas peles.  Interpretações agradáveis e harmoniosas.

N.B.: Vaccaro, errôneamente, traduz o nome do conjunto como “As Cozinheiras”, o que não é correto. “Cookies” são, na verdade, biscoitos ou bolachas.  Vaccaro continua tentando ser “engraçado”, comparando as “cozinheiras” com  “the Platters” [os “pratos”], dizendo que haveria aí uma boa culinária na mistura. As Bolachinhas [Cookies] tiveram que esperar mais 5 anos para [finalmente] ficarem famosas, quando gravaram “Chains”, de Carole King & Gerry Goffin, em Novembro de 1962. “Chains” ficou mais famosa ainda quando foi re-gravada pelos Beatles, um conjunto britânico que revolucionaria o mundo pop em 1964.

3. Maureen Cannon -  pequena e bonita, simpática, personalíssima  - foi a mais aplaudida no Teatro João Caetano, no Rio.  Ela merece! Canta apenas dois números, mas como canta. Miss Cannon grava pela Jubilee, dos U.S.A.


4. The Four Knights  -  o ponto alto do show que Paulinho Machado de Carvalho trouxe a São Paulo. Os “Quatro Cavaleiros Errantes” gravam na Capitol.  Provam que quando um não quer, quatro não desafinam. Rapazes sempre sorridentes e com uma movimentação cênica que não se encontra nos conjuntos locais.

5. Dani Marlo  -  plástica excelente, vestida num minúsculo traje, como quem vai à praia. Sosinha é um espetáculo à parte.

N.B.: Vaccaro Netto não especifica se a moça canta, dança, ou “pinta o sete”.

6. Jackie Dee, a Bombshell -  ou mesmo a “Atomic Blonde” [Loura Atômica], com apenas 17 anos de idade, canta e dança simultâneamente, sempre abraçada à sua guitarra.  Lembra um Elvis Presley de saias. Sempre acompanhada de sua “Ma” [mother] Harriett, que contagia a todos com seu bom humor.

7. The Tyrones  -  são sete rapazes endiabrados que moravam no mesmo bairro [Vaccaro não especifica o estado, a cidade,  ou tampouco o bairro] e um dia, resolveram: “Vamos formar um conjunto musical?” para atormentar a vizinhança.  Piano, contra-baixo elétrico [que foi uma atração aparte], saxofone e bateria.  O quinto membro bate palmas para acentuar o ritmo, sendo que os dois ultimos cantam. A movimentação cênica é ótima.  Se não convencem no disco, agradam totalmente no palco ou TV, com seu comportamento travesso.  Já gravaram para a Mercury  o 78 rpm “My rock and roll baby”, e “Year around love” no lado B.

8. Dançarinas & dançarinos  -  Edith, Marta & Evelyn são as principais atrações dançantes.

N.B.: Vaccaro não diz nada a respeito dos “partners” masculinos das moçoilas, que, pasmem, não são norte-americanas; sendo duas Argentinas e uma de Espanha.  Supõe-se que ‘las chicas’ entraram para a troupee do “Rock Fantasy” quando a companhia passou por Buenos Aires.

15 Outubro 1957 – Terça – “Pernas para cima, cabeças para baixo” – é assim essa dança louca do Rock – Matéria de capa do 3º caderno da UH -

É a primeira vez que o público brasileiro toma contacto com a frenética dança do Rock - As “chicas” made in Buenos Aires -  Edith Boher, argentina, que já morou no Rio, em 1955, participando da companhia teatral de Walter Pinto, e de filme com “el Broto”, Francisco Carlos. De volta a Buenos Aires recebeu convite do empresário Valdez, para integrar a “Rock’n’Roll Fantasy”.  Marta Portillo, de Buenos Aires também, que com sua irmã Maria Ester [também na revista], passou do ballet clássico ao Rock num piscar d’olhos; e finalmente Evelyn Domingues, natural de Orenze, na Galícia, Espanha, que abandonou o curso de Direito, partiu para a Argentina; aprendeu a dançar o Rock e acabou entrando no “cast” da revista que se apresentou em Buenos Aires e Montevideo, antes de vir para o Rio de Janeiro e São Paulo.

18 Outubro 1957 – 6a. -  TV Record, Canal 7 apresenta o “Rock’n’Roll Fantasy” as 22:30.

18 Outubro 1957 – 6a. -  Bienvenido Granda se apresenta na TV Tupi – declara que seus ultimos sucessos no Brasil, “Angustia”, “No toque este disco”, “Soñando contigo”, “Señora”, e outros, foram gravados há mais de 12 anos... portanto em 1945, no final da ultima Guerra.

22 Outubro 1957 – 3a. -  Maureen Cannon grava na RGE.  A interessante cantora do “Rock’n’Roll Frantasy” gravou um 78 rpm para o sêlo de José Scatena.  Boa pedida.  Nota de Miguel Vaccaro Netto, em sua coluna “Três Rotações”.

N.B.:  Vaccaro não divulga os títulos gravados, mas sabemos que as duas musicas gravadas são: “Oh Johnny”, classico de Domínio Popular da musica popular Yankee, já gravado pelas Andrews Sisters, entre outros, e “Mama come save your child”, um “blues-corrido” [se existir essa classificação].  Maureen é competentemente acompanhada da orquestra do fabuloso colega-de-trabalho Freddie Mitchell.

a Revista do Radio de 23 NOV 1957 dá a notícia erradamente de que o 'Rock'n'Roll Fantasy' era um 'conjunto' invéz de uma 'revue' [revista completa]. 


23 Outubro 1957 – 4a. -  Queriam ficar no Brasil vários dos astros do “Rock’n’Roll Fantasy” – Não só pela popularidade que conseguiram, mas porque gostaram imensamente da atividade artística da Paulicéia. Mostraram disposição em prolongarem sua estada, com probabilidade de até aqui se fixarem.  Maureen Cannon, a mais popular da turma, recebeu convite para voltar à São Paulo daqui há 3 ou 4 meses, para uma temporada solo [isso só realmente acontecendo mais de 2 anos depois, em Janeiro de 1961].  Nota da coluna “Ouvi ou vi”,  de Jota Marciano.

23 Outubro 1957 – 4a. – Greve atrasa a prensagem do 1º e único 78 rpm de Maureen Cannon, que deixou saudades do “Rock’n’Roll Fantasy”. Coluna 3 Rotações de MVN.

25 Outubro 1957 – 6a. -  clichè com foto de Maureen Cannon entre Walter Silva, chefe de divulgação da RGE e Valter Arruda, do mesmo sêlo.  Maureen, num vestido estampado, segurando um LP da RGE, sorri descontraída.

11 Novembro 1957 – Segunda -  estréia de “Absolutamente certo”, de Anselmo Duarte, no Art-Palácio e Cine Ópera.  O primeiro filme Brasileiro onde aparece o novo ritmo Rock and Roll.


R O C K ’ N ’ R O L L  F A N T A S Y  -  OUTUBRO  1 9 5 7
 
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

Devido a escassez de informação sobre dados pessoais e artísticos dos participantes da “revue” [revista] “Rock’n’Roll Fantasy” providas pelo jornal “Ultima Hora” e seu articulista-mór, Miguel Vaccaro Netto, nos demos a tarefa de completar tais dados recorrendo ao uso da Internet, que graças a Deus, nos foi proporcionada a partir dos anos 90, para nos tirar das Profundezas das Trevas.   Eis alguns fatos colhidos nessa empreitada:


1. FREDDIE  MITCHELL  &  HIS  ORCHESTRA  -  Freddie começou como pianista de blues em Tampa, Florida, mas com a tenra idade de 13 anos, sua familia se mudou para New York City e Freddie trocou as teclas-de-marfim pelo saxofone e clarinete.  Em 1940, com 15 ou 16 anos, tocava seu sax em orquestras como a de Fletch Henderson, Benny Carter, Louis Armstrong e Hot Lips Page.  Formou sua própria orquestra em 1949 e entre suas várias gravações estão “Delicado”, de Waldyr de Azevedo e “Perfidia” [pela Mercury Records];  “Moondog boogie”/ “Hot ice” pela Derby em 1952, que ganhou o Merit Award.

Em 1956 Freddie aparece no filme “Rock, rock, rock” do DJ Alan Freed, de Cleveland, Ohio, que se popularizou em New York como o “Rei do Rock’n’Roll”.  Aliás, Freed foi o autor do nome do novo ritmo.  Nesse famoso filme, Freddie toca “Moondog boogie”, que ele havia composto em homenagem ao Alan Freed, que se auto-denominava “Moondog” [cachorro da lua].  Mr. Freed mudou o título da musica para “Rock’n’Roll boogie”.

Freed também mudou o nome da Orquestra no filme, que passou a se chamar Alan Freed’s Rock’n’Roll Band, mas quem aparece lá na frente tocando seu saxofone é Freddie Mitchell.

Freddie Mitchell started out as a blues pianist in Tampa, Florida, but when he was 13, his family moved to NYC, where he took up sax and clarinet. By 1940 he was swinging the sax with the big bands of NYC, with Fletcher Henderson, Benny Carter, Louis Armstrong and Hot Lips Page. He formed his own band in 1949, which became the house band that year for the new Derby record label. They hit early with "Doby's Boogie," a record which was dedicated to Larry Doby of the Cleveland Indians, the first black athlete in the American League (the National League's Jackie Robinson was one year earlier). Besides his role as director of the recording sessions for Derby, Mitchell was also their A&R man, and part of his job for them was to recruit talent. Many of the singers on theDerby label were unknowns who were given one recording session in front of Mitchells band.  For example, the recording below by Honey Brown is taken from one of the only recording dates she ever had, and the same applies to Walter "Sandman" Howard and Eunice Davis. Davis recut "Rock Little Daddy" for Atlantic in 1952. Walter "Sandman" Howard reportedly sings jump songs on the 1964 album  "Ebony In Rhythm" on Canadian Capitol T/ST-6090.


Freddie Mitchell went on to cut "Moondog's Boogie" in 1952, in honor of the famous Cleveland DJ Alan Freed, who called himself "Moondog." Freed played the record on his own show. In Freed's 1956 movie, "Rock, Rock, Rock," Mitchell appears in a band called, in the movie's credits, "Alan Freed's Rock and Roll Orchestra," with Mitchell up front on tenor sax. In the film, the 17-piece band plays "Moondog's Boogie," which Freed announces as "Rock and Roll Boogie." Freed appears in the movie to be leading the band and singing a vocal line. In fact, his vocals were horribly deaf-dubbed onto the footage (he could not hear the band while dubbing but merely watched the footage, footage of a band synchronizing itself to a recording that was 4 years old, which contained no vocals!) 


Mitchell label-skipped through the 50's, and recorded a sax battle with King Curtis in 1959, but the credits listed only Curtis. As jobs got scarce in the 60's, he started driving a taxi cab, but continued to gig as "Taxi Mitchell," and died unknown. Honey Brown, from Detroit, walked into Mitchell's studio in April of 1951, bringing her song "Rockin' and Jumpin'," with her. Billboard reviewed the record in June: "Combo swings hard on this novelty jump blues, with boys joining in the tag line." Little else is known about Brown, other than the fact that she re-cut the same tune with the Choker Campbell Orchestra for the Fortune label in Detroit in 1952, and she recorded for the tiny Club 51 label, (see   http://hubcap.clemson.edu/~campber/rsrf.html ). Nothing else could be found about Walter "Sandman" Howard or Eunice Davis. As for the Eunice Davis track, the lyrics are nearly identical to those in Cecil Gant's "Rock Little Baby," also of 1951. It is unknown whether Gant stole it from Davis or Davis stole it from Gant.


Record collectors may be interesed to know that there is a fairly common LP released in 1957 on the Masterseal label that pops up all the time at record auctions called "Let's all Dance to Rock And Roll" by "Hen Gates and His Gators." The album jacket, with a photo of cruising white teenagers, goes on to describe this band, but close inspection of the tracks reveals that they are all taken from 1940's Freddie Mitchell masters from the Derby label, and all the songs were given new bogus titles. There was never any Hen Gates and never any Gators, it was a bogus way of selling records in the late 50's: taking old R&B masters and repressing them for the new rock 'n' roll market. One of the tracks on that album, though given a different title there, is actually Mitchell's "Doby's Boogie," below. There actually was a real pianist nicknamed Hen Gates, who was a bebop musician of the early- and mid-40's, but there is no relation to this album. Freddie Mitchell almost always used Joe Black on the ivories at Derby. Amazingly, the Masterseal LP's have been released recently on CD, with the original album photo, but now the text has the words "with Freddie Mitchell," on the cover, though Mitchell's name does not appear on the original 1957 vinyl issue. The label that is issuing the CD's calls itself Masterseal, so it's obviously a European bootleg nostalgia pressing. Thank goodness for Europe for keeping this stuff alive.
  1. Doby's Boogie, 1949 (first minute)
  2. Hot Ice, 1950 (first  minute)
  3. Willow Tree Blues, 1950 with Walter "Sandman" Howard (last minute)
  4. Cuttin' Out, 1950 with Walter "Sandman" Howard, vocals (last minute)
  5. Rockin And Jumpin, 1951 with Honey Brown, vocals  (last minute)
  6. Rock Little Daddy, 1951 with Eunice Davis, vocals(last minute)

2. COOKIES – Conjunto vocal feminino de 3 integrantes:  Ethel “Earl-Jean” McCrea, Margie Hendrix & Pat Lyles,  três moças do Brooklyn, que começaram a cantar juntas no início dos anos ’50.  Em 1954 fizeram sua primeira gravação na Lamp, uma subsidiária da Alladin Records. Em 1955 são contratadas por Jesse Jones,  compositor e produtor da poderosa Atlantic Records.  Em 1956 gravam “In paradise”, que fica entre as 10 mais vendidas da Parada de Rhythm & Blues, ao mesmo tempo que continuam a participar de gravações de outros artistas, como Chuck Willis e Joe Turner.

Nesta altura de suas carreiras participam da “Rock’n’Roll Fantasy” na Broadway, logo em seguida excursionando ao Brasil e América Latina.

Voltando aos U.S.A. Ray Charles, também da Atlantic, as convidam para serem suas  'back-vocal' group, ficando assim conhecidas como Raelettes, e o nome “Cookies” desaparece. Após 5 anos trabalhando com  Ray Charles, uma nova versão das Cookies emerge em New York, com Ethel “Earl-Jean” McCrea [a única original], Dorothy Jones e Margaret Ross.  Essa nova formação trabalha nas sessões do famoso Brill Building, na Broadway, fazendo back-up e “demos” para Neil Sedaka, Tony Orlando e outros.

 The Cookies & Neil Sedaka at the Brill Building hit factory.

Foi a Ethel “Earl-Jean” McCrea que sugeriu a Little Eva, sua amiga, fosse trabalhar como babá do bebê do casal Carole King & Gerry Goffin, compositores do Brill Building.  Carole & Gerry se inspiraram nas habilidades de dançarina e cantora de sua babá,  Little Eva, para comporem “The Loco-motion”, que foi direto para o 1º lugar na Billboard, em 25 Agosto 1962.  Esse “hit”   colocou a Dimension Records [braço da Aldon’s Music, firma que empregava todo esse   pessoal] no mapa.

The Cookies cantaram “back-vocal” na gravação de “Locomotion”, e como prêmio, gravaram uma musica do casal King & Goffin;  “Chains” [#17 em 1º Dezembro 1962].  The Beatles ouviram o 45 rpm lá em Liverpool, e a gravaram para seu 1º LP em 1963, e “Chains” [My baby's got me locked up in chains...] se imortalizou.

Em seguida as Cookies emplacaram seu maior sucesso “Don’t say nothin’ bad [about my baby]” [#7 em 27 Abril 1963] e “Girls grow up faster than boys” [# 33 em 18 Janeiro 1964] . 

As Cookies se separaram logo em seguida e Ethel “Earl-Jean” McCrea lançou-se em carreira solo como Earl-Jean, gravando  “I’m into something good” [# 38 em 8 Agosto 1964], mas para sua consternação o popular grupo britânico Herman’s Hermits a gravaram também e eclipsaram a Earl-Jean, que sumiu.


3. MAUREEN CANNON -  a artista mais popular entre a troupe da “Fantasy”.  Maureen nasceu em Chicago, Illinois em 3 Dezembro 1926, mas mudou-se para New York em 1941, com 15 anos.

Foi participante permanente do programa de TV  “Good-year Revue” [Revista da Good-year], comandado pelo band-leader Paul Whiteman, que ficou muitos anos no ar no início dos anos 50.  Esses programas foram gravados em Kinescope e podem ser comprados pela Internet.

Entre eles, destacamos:  “Good-year I” de 10 Dezembro 1950, que saúda a musica de George Gershwin ;  “Good-year II”, onde Maureen canta “With a shine on your shoes”, “I guess I’ll have to change my plans” e “Look who’s dancing now”, além de interpretar os jingles da Good-year.

No programa “Good-year III” [12 Setembro 1951] dedicado à moda, Miss Cannon canta “There’ll be some changes made”; 

“Good-year IV” de 2 Dezembro 1951 o assunto é instrumentos musicais, e Maureen canta além do jingle costumeiro, “I love a piano” e “Bill Bailey”, além de um numero com Earl Wrightson e Morrow chamado “Cabin in the sky”, com uma conotação racista sobre o hábito de comer frango frito diáriamente [costume notadamente dos Negros].

No “Good-year V” Maureen canta apenas o tema do programa e, finalmente,  no “Good-year VI” de 30 Março 1952,  Maureen canta “I got rhythm” [Gershwin] e Miss Peggy Lee canta “The lady is a tramp”.

Como se vê, Maureen Cannon sempre estava em boa companhia.  Não há informação sobre suas atividades entre 1952 e 1957, quando ela participa da revista “Rock’n’Roll Fantasy” no Teatro da Paramount, depois fazendo tournee pela América do Sul.  Para conseguir esses programas escreva para:

https://mail.google.com/mail/h/1bd9xsr9wxm16/?&v=b&cs=wh&to=macfootage@worldnet.att.net  .


4. THE FOUR KNIGHTS – “Os Quatro Cavaleiros Errantes” -  Esse quarteto começou Gospel e depois mudou para o R’n’B [Rhythm & Blues] moderado, mais chegado ao Pop.  Começaram com o nome de Southland Jubilee Singers, em Charlotte, na Carolina do Norte.

Gene Alford [tenor] que abandonou o quarteto em 1953 devido a sofrer de eplepsia;  John Wallace [2º tenor e violão];  Oscar Broadway [baixo] e Clarence Dixon [barítono].  Conheceram Cy Langois, que tornou-se o empresário e os levou para New York City, onde apareceram em programas radiofônicos de Arthur Godfrey em 1945.  Gravaram “Just in case you change your mind” para a Decca Records em Abril de 1946. Mudaram-se para a Capitol Records em 1951 e lançaram “I love the sunshine of your smile”.

Chegaram ao 2o. lugar da Parada de Sucesso em 1954, ultrapassando a casa do 1 milhão de cópias, com uma musica de Pat Ballard, “I get so lonely when I think about you [Oh baby mine]”, o maior sucesso da carreira deles.  George Vereen substituiu Gene em 1953 e, por sua vez, foi substituido por Cliff Holland em 1955, vindo os Four Knights com essa formação ao Brazil em 1957.

O fabuloso Nat King Cole gostou tanto do quarteto por causa de seu estilo suave, que gravou com ele “A blossom fell”, que chegou ao 2º posto na Billboard em 7 Maio 1955.  O lado B do disco, “If I may” chegou ao 8º posto em 21 Maio 1955.  Total sucesso!  Ainda com Nat King Cole emplacaram “That’s all there is to that” [# 16 em 21 Julho 1956] e “My personal possession” [# 21 em 5 Agosto 1957].

Portanto the Four Knights estavam na crista da onda quando excursionaram pelo Brazil. Não é atôa que Miguel Vaccaro Netto os tenha escolhido como o “ponto alto do show”.

5. DANI  MARLO  -  Não consegui informação alguma sobre essa menina, que portava muito pouca roupa no palco do Teatro Cultura Artística.


6. THE TYRONES –  Septeto de jovens de Philadelphia, capitaneados por Tyrone DeNittis e tendo George Lesser como crooner.  Eram apadrinhados de Bill Halley, sendo que Al Dean, irmão do Tyrone DeNittis, tocou saxofone com The Comets num breve período em 1960.  

Seus principais discos são:  1. “The Campus Rock” / “[She wants] Candy and flowers” pela Wing Records em 1956;  2.  “My rock’n’roll baby” / “Year round love” pela Mercury Records no mesmo ano;  3. “Pink champagne”, que o famoso diretor “trash” John Waters usou como trilha-sonora para seu filme “Pink Flamingos” [1972]; 4. “Brokendown baby” / “Giggles” pela Decca em 1958; 5.  “Blast off” / “I’m shook”, que apareceram no filme “Let’s rock” de 1958, pela Decca em 1958; 6. “Bring back” / “My love” em 1959 pela Dahlia Records.  Varios classicos dos Tyrones apareceram no filme de animação “The Iron Giant”.


7. JACKIE DEE – é um mistério essa garôta de 17 anos, que era a “Elvis Presley de saias”.  Eu tenho uma forte impressão de que Jackie Dee não é nada mais, nada menos, que a talentosíssima cantora-compositora Jackie DeShannon.

 Jackie Dee em 1960.

Jackie DeShannon gravou seu primeiro disco em 1957 com o nome de Jackie Dee, pela Gone Records.

Em 1958 gravou o rockabilly “Buddy”.  Buddy era o Buddy Holland, pois Jackie era da mesma turma.  Tanto que em 2 Fevereiro 1959 [o dia que a musica morreu, segundo a letra de “American Pie”, de Don McLean], o dia do desastre aéreo que matou Holland, Big Bopper & Richie Valens, Jackie era para estar no mesmo show.

‘Oficialmente’, Jackie nasceu em Agosto de 1944, embora o proprio presidente de seu fã-clube acredite que DeShannon nasceu em 1940. Jackie começou a cantar em 1954, com a tenra idade de 14 anos, portanto já era uma “veterana” em ’57.  Jackie era sempre acompanhada da mãe ou pai, embora sua mãe não se chamasse Harriet, como o Vaccaro escreveu na UH.

As coincidências entre essas “duas” Jackie Dees são muitas, portanto ainda vou precisar de tempo para esclarecer esse mistério. Jackie DeShannon também imitava Elvis... também cantava rockabilly, também era acompanhada da mãe, também era loira... muitas coincidências para poucas Jackie Dees.

N.B.:  Algum tempo mais tarde:  Como eu suspeitava, Jackie Dee É realmente a fabulosa Jackie DeShannon, a autora de muitos clássicos do Rock’n’Roll e do Pop.  Só para adiantar: o mega-sucesso “Bette Davis eyes”, cantada por Kim Carnes, a musica mais vendida de 1981, é composição de Jackie.

Através do Bill, da “Jackie DeShannon Appreciation Society” recebi tal recado:


Hi Luiz,

Thank you for your letter. That sounds like a fascinating concert! And I have some good news for you... To be 100% sure we would have to ask Jackie herself (if she remembers). But I'm 99.9% sure that it WAS Jackie DeShannon you saw.

In 1957 she was recording under the name Jackie Dee. She was dubbed by some "the female Elvis." I believe that was the year she recorded "I'll be True". The following year she bettered Elvis on his own "Trouble."

As far as her age, while her birthday is listed now as 1944, earlier on it was listed as 1942. And, her first single (as Sherry Lee) in 1956 lists her as "15-year old something-or-other." So I do believe she was born in 1940 (although I'd never ask her - haha!) AND she was apparently accompanied by her mother everywhere she went back then.

You remember a lot of details for something that happened 50 years ago. Do you by chance have some sort of program from this event? If so, I would love to see a copy of it!

If you want to ask Jackie yourself, you can go to her own website (JackieDeshannon.com) and post a question on the message board. It may take a while to get an answer, and I'd leave the age part out of it; just ask if she ever did a tour of Brazil and South America early in her career.

That would have been very cool to see her that young. I bet she was amazing.

All the best,
Bill George

Finding Her Voice:The Saga of Women in Country Music

by Mary A. Buffwack and Robert K. Oermann
© 1993 Crown Publishers

The Los Angeles rockabilly scene that included Lorrie Collins and Ricky Nelson revolved around songwriter Sharon Sheeley's apartment. She was the girlfriend of rockabilly great Eddie Cochran and co-wrote his pile-driving "Somethin' Else", as well as Nelson's 1958 hit "Poor Little Fool" and other teen tunes. In one of rock's most famous tragedies, Cochran was killed and Gene Vincent partially crippled in a 1960 taxi crash in England. Sharon, also badly injured, returned to Los Angeles barely able to walk. Though she and Cochran had planned marriage, she set about rebuilding her life by writing songs with Sharon Lee Myers, a teenager recently arrived from the South. Miss Myers was to become far better known as pop princess Jackie DeShannon.

Born in Hazel, Kentucky, in 1944, Jackie was the daughter of a country musician father and a blues singer mother. Her grandmother sang and played Irish folk songs, and several aunts and uncles were also involved in music. Jackie was a country radio performer in Kentucky and Illinois by age eleven. She first recorded in 1957. Unfortunately, the company "didn't believe that girls sold as well as boys", so her debut disc wasn't widely promoted. Gone Records billed her as "Jackie Dee", perhaps to disguise her sex. By age fifteen she was trying her luck in Music City. "I was going to Nashville and recording and promoting myself," she recalls. "I was very young, but my parents were encouraging. Either my mother or my father would accompany me on these trips." She issued her purest rockabilly single, "Buddy", in 1958, then the bopping "Just Another Lie" as "Jacquie Shannon & The Cajuns".

A reporter for Folk and Country Songs magazine went gaga over the rockabilly youngster in early 1959 after stumbling on a Nashville rehearsal session: "In my opinion Jackie Dee is one of the greatest new finds since the inimitable Elvis Presley. Electro-magnetic power-jet-propelled action and a voice to match - that's the Jackie Dee story in a nutshell." Also supportive during her Nashville days were Opry stars Homer & Jethro. But at a show in Chicago, Jackie met Eddie Cochran, then a rockabilly king with his huge "Summertime Blues". "He was very, very encouraging. He reminded me a lot of James Dean. He said, 'If you really want to get somewhere, you've got to come to California.'" Jackie arrived in 1960 and promptly tore into a ferocious female reworking of Elvis's King Creole movie tune "Trouble".

The record is one of a handful of rockabilly singles where females express the kind of anger and anti-social tendencies that marked males' rock 'n' roll rebellion. Jackie was joined as a rockabilly "tough gal" by Jane Bowman, whose "Mad Mama" dealt with an overly jealous mate. "Let me tell you honey, this man is mad," Jane sang. "I'm gonna bash in your head." Using the musical setting of Dave Dudley's "Six Days on the Road", West Virginian Boots Collins contributed "Mean" to the era's "tough gal" trend. Her disc featured threats to her man with a shotgun. Angriest of all was Arkansan Joyce Green. In her echoey, sinister "Black Cadillac" she vows to bury her man. It has become one of the most collectable of all rockabilly singles, selling for hundreds of dollars on the rare-records market.

None of these records became hits. It was okay for Elvis to snarl, "don't you mess around with me", but not lithesome, flaxen-tressed, teenage Jackie DeShannon.

But Jackie kept trying. She issued four songs, including the aggressive "Put My Baby Down", in 1960 and was then signed by Liberty Records. Six successive singles stiffed in 1961, and even startlingly soulful renditions of Ray Charles' "I'll Drown In My Own Tears" and her own "The Prince" the next year did not turn the tide. Blessed with a gripping growl, a dark alto dip, and a country-gospel wail in her voice, Jackie was certain she had what it took as a singer. But it was her songwriting that sustained her.

She met Sharon Sheeley at Liberty, and the two became a hit factory for Brenda Lee, The Fleetwoods, Troy Shondell, Dodie Stevens, Peggy March, Bobby Vee and other teen idols.

"I loved having other people do my material. The thing was that I wanted to do some too." Convincing the record label of the value in her distinctive, hoarse, emotion-packed delivery was another matter. Jackie finally made the national charts in 1963 with a soul-drenched reworking of the Bob Wills country classic "Faded Love". Then she found a Sonny Bono/Jack Nitzche song called "Needles and Pins". "Everything I presented to the label, they hated." During the subsequent British Invasion, The Searchers copied her record and created a classic. The group did the same with the impassioned DeShannon original "When You Walk in the Room".
Jackie's collaborator Sheeley married "Shindig" TV host Jimmy O'Neill, and he began featuring the headstrong, rocking singer/songwriter on his TV show and in his club, Chez Paree. The press labelled Jackie "the new Red Hot Mama with a rock beat". Things began looking up.
After filming the 1964 teen flick Surf Party, Jackie headed to England to capitalise on her Searchers successes and her notoriety as an opening act for The Beatles on their debut U.S. tour. She appeared on Britain's "Ready, Steady, Go!" teen TV show, was the songwriter of Marianne Faithful's "Come and Stay with Me" and "In My Time of Sorrow" and had a romance with future Led Zeppelin guitarist Jimmy Page. Back in the United States, Jackie recorded versions of Buddy Holly's "Oh Boy" and "Maybe Baby". She was on the bill of the show he was en route to when he died in 1959, and she'd never forgotten Buddy.
Jackie became increasingly outspoken at her record label. "When I would . . . go in and ask about the sales of my record, they would call me a pushy broad. Or, because I'm small, they'd treat me like a child. I still have hang-ups about those days." She scored a major international hit with "What the World Needs Now Is Love" in 1965 and had her biggest success in 1969, with the million-seller "Put a Little Love in Your Heart", which she'd penned. Dolly Parton brought it into the country fold with a 1993 rendition.

On her later albums Jackie leaned toward country-pop on songs. In 1981 Kim Carnes scored a giant hit with the Jackie DeShannon co-written "Bette Davis Eyes".

Jackie has recorded with lush orchestras, as well as raw rockabilly bands. She has sung soul and country and folk and some of the most melodic, shimmering pop ever recorded. Although hugely successful as a songwriter, she never got the success she deserved as a singer. Was it her attitude? "I saw Rebel Without A Cause" and never got over it," she says with a laugh. "I never made it out of that fan club."

The  JACKIE DESHANNON / SHARON SHEELEY songs:

"DUM DUM"  (Brenda Lee, 1961)

"THE GREAT IMPOSTER"  (The Fleetwoods, 1961)

"TEARS FROM AN ANGEL"  (Troy Shondell, 1961)

"SO DEEP"  (Brenda Lee, 1962)

"HEART IN HAND"  (Brenda Lee, 1962)

"HE'S SO HEAVENLY"  (Brenda Lee, 1963)

"BREAKAWAY"  (Irma Thomas, 1964)

o Brooklyn Paramount Theater em seu esplendor em 1956.
o incrível Paramount Theater de Manhattan, o original, o 'bolo-de-noiva'.



Oi Tatah, 8 Dezembro 2009.



aqui vai a pesquisa que fiz sobre a primeira manifestação de rock'n'roll no Brasil, baseando-me, principalmente, nas resportagens do jornal ‘Ultima Hora’, coluna do DJ Miguel Vaccaro Netto no mesmo jornal, e posterior ajuda da Internet para preencher as lacunas, embora reconheça que na Internet há pouca coisa, mas quem quer sempre acha uma pérola aqui ou alí.



Paulinho Machado de Carvalho, filho do ‘marechal da Copa de 1958’, vivia viajando pelo exterior gastando o dinheiro do pai dele. Estando em New York, e sabendo da nova coqueluche que era o tal de rock’n’roll, entrou em contacto com agentes que lhe venderam um show de ‘rock’ já prontinho.

O pessoal trazido à America do Sul, era parte da turma que se apresentava nos shows ‘ao vivo’ promovidos pelo DJ Alan Freed, o ‘pai’ do rock, ou pelo menos o cara que deu nome ao Rhythm & Blues com participação de brancos.

Esses shows monumentais de rock eram apresentados no Paramount Theater do Brooklyn, NY. Não sei qual foi critério para a escolha desse pessoal para virem ao Brasil, mas nota-se que nenhum dos que vieram eram, realmente, os ‘grandes’. Provavelmente eram aqueles que não tinham muita fama e que podiam se ausentar dos USA por um bom período sem perder popularidade.

Carlus Maximus

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